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Rauber Mendes

Instrumental | Pelotas / RS

Musico, intérprete, compositor e arranjador multinstrumentista gaúcho radicado na Alemanha. Preparando o novo trabalho instrumental "SpielHaus"

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Quarta, 16 de setembro de 2009

Ramil(onga)

Março 22, 2007

Vitor

Vitor, um gaúcho abrasileirado (ele mesmo coloca-se nesta posição em alguns momentos, sem dizer literalmente), gravou seu último disco “Longes”.

Este disco muitas pessoas disseram ainda não ter entendido.

Converso cotidianamente com fãs de Vitor Ramil, e entre, pelo menos os que eu conheço isso é unanimidade. Porque?

Bom, primeiramente todos sabem que para se apreciar uma boa música precisamos de ouvidos treinados, acurado e de bastante perspicácia sonora. O ideal é seria que todos conhecessem a estrutura musical básica e que no Brasil houvesse uma educação musical desde o Ensino Fundamental, e que esta tivesse uma razoável qualidade como nos países desenvolvidos. Tornariam-se as pessoas brasileiras mais cultas como todos podem imaginar, e com toda certeza não veríamos muitos brasileiros pagando mico por aí como vemos diariamente. Nem veríamos os pobres coitados sendo feitos de bobos.

Isso não é comum de observar-se em países desenvolvidos.

Gostos á parte (temos que respeitar á todos, mas não somos obrigados á compartilhar deles), observa-se no Brasil um discurso televisivo e (midiático???) da falta de compositores.

Esta é a herança do que plantamos; lembro-me bem em minhas aulas de Educação Artística no meu ensino primário. Estudei em diversas escolas por todo o Brasil e em absolutamente todas vinha uma professora muito mal preparada e me entregava um pincel, 3 cores de tinta (as quais eu não podia escolher) e me dizia pra pintar alguma coisa. Enquanto isso, ela ficava sentada lendo sua revista e ao final da aula ela pegava um rolo de fita crepe e pendurava todos os trabalhinhos na parede e estes ficavam lá até a semana seguinte. A aula de Educação Artística era uma vez por semana, enquanto as de matemática chegavam a 6 no mesmo período. Não aprendi nada na aula de Educação Artística (nem na de matemática, pois sou artista). Mas o que eu quero observar é o resultado deste procedimento praticado até hoje.

Dizem que não temos mais compositores. É verdade. Os poucos que temos são em virtude destas e outras deficiências. Mas, principalmente os poucos compositores que temos para a área de mercado musical a qual o Brasil inteiro exige: a do pieguismo. O piegas tem moda e roda. Atrocidades culturais como foi a lambada e a herança pobre e imoral do funk americano praticado no Brasil. Eu me pergunto: Onde está o cidadão que á vinte anos atrás era fã de lambada? Continua ouvindo os mesmos discos até hoje?

Isto é o que a mídia quer, e isso ela não encontra mais.

Encontramos compositores geniais no Brasil, mas eles não trabalham nesse ramo. Eles trabalham sem o apoio de mídia ou instituições que os apóiem e sem “leis de incentivo á cultura” que só patrocina (ou apadrinha) afilhados de outros segmentos menos meritosos.

Os brasileiros foram educados para serem assim. A culpa não é da população. Já não somos “como nossos pais” como diria Belchior ou Elis Regina. “Nossos ídolos não são mais os mesmos” (uma pena!) e as aparências nem se dão mais ao trabalho de querer enganar. Somos filhos de um país que escutava Jobim, Caetano, Villa-lobos e outros gêneros musicalmente riquíssimos como o Choro ou as subjacências da música portuguesa como a sertaneja, hoje chamada música raiz. Infelizmente estes pais não estavam preparados musicalmente para educar a geração seguinte.

Temos que escutar mais música, mas antes, temos que escutar coisas novas e diferentes. Treinar o ouvido seria o correto. Escolher o que queremos e devemos escutar para fazer com que a música não nos seja imposta como o imposto, e sim, como um direito ao qual nos reservamos. Devemos abandonar a geração rádio, na qual me lembro ter que escutar o que os malucos ou muitas vezes bêbados locutores ou “Disk-Jóqueis” nos empurravam por que rolou um Jabá (propina para tocar a música – e bêbados por que microfône não é bafômetro).

Não tivemos educação musical é verdade, mas sejamos autodidatas e ouçamos aquilo que está escondido no fundo do armário do papai. Não é saudosismo, é treinar o ouvido para o novo e atual como Vitor Ramil.

Ah, por falar em Vitor Ramil….

Postado por Rauber Mendes Silveira
  • Set
  • 2009

Comentários

henriqueluan - 11/11/2011

Parabéns pelo trabalho!
Além de Fã, "TEMOS UMA OPORTUNIDADE PARA MÚSICOS INDEPENDENTES".
Sou Henrique Luan, também sou músico, trabalhei 12 anos na parte técnica e produção musical em estúdio de gravação em Curitiba. Nestes anos de estrada, já participei da gravação dos dvds ao vivo dos artistas ( Banda Nazareth, Demis Roussos, Manolo Otero, Banda Velhas Virgens, Padre Reginaldo Manzotti e outros ). Agora sou dono da IMPACTO PONTUAL - CÓPIAS E IMPRESSÕES EM MÍDIAS. Pensando em ajudar os músicos independentes de todo o Brasil que sofrem com preços altos quando precisam de cópias e impressões de cds e dvds em pequenas tiragens, estamos com uma grande proposta.
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