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Nobat

Indie Rock | Belo Horizonte / MG

Franz Ferdinand, The Strokes, The Killers, Arctic Monkeys, Queens Of The Stone Age, Yeah Yeah Yeahs são as grandes referências do novo trabalho de Nobat, "Disco Arranhado", produzido por Eduardo Curi e gravado entre Julho e Setembro de 2011.

leia o release completo

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Segunda, 19 de dezembro de 2011

Uma das coisas mais chatas da construção de um álbum de músicas é o momento do processo em que a coisa se torna um tanto quanto mecânica.

Particularmente, a etapa que mais me agrada dentro do estúdio é a pré produção. Chegar com as composições cruas, despretensiosas, com apenas ideias-embrionárias de arranjos que vão direcionar o corpo que a música vai tomar e vê-la ganhar forma aos poucos por meio de colaborações de todos os músicos dentro de uma sala de estúdio é realmente incrível.

Pra gravação do “Disco Arranhado”, vivi outra experiência surpreendentemente nova: cheguei com quatro músicas com os arranjos bem encaminhados – O Que Pe®di, Disco Arranhado, Sem Roupa e Aquele Rapaz – e participei da construção dos arranjos de todas as outras músicas do disco. Tive muita sorte de viver isso dia a dia dentro do estúdio com os músicos que entenderam muito bem, com aquelas quatro músicas pré arranjadas, o que eu buscava enquanto proposta estética do disco. Vi um disco brotar da criatividade externada pelas notas de cada instrumento, por cada músico, em cada música.

Pré produção no Estúdio Pato Multimídia - Foto: Equipe de produção,

Arranjos prontos, estruturas definidas, estávamos naquele momento no ponto certo pra entrar pra sessões de gravação e registrar em áudio as ideias trabalhadas e desenvolvidas na pré. Eis o clímax do nosso roteiro musical nada planejado: gravar, a parte mais insuportável do processo inteiro! Digo isso com uma tranquilidade honesta desde a primeira vez que gravei um álbum – De Volta Ao Ruído – no estúdio Solar, com o produtor musical Luiz Enrique.

Quem é músico e já viveu a experiência de gravar um DISCO vai conseguir perceber tranqüilamente o que eu quero falar, mas imagino que seja ainda mais fácil pra quem NUNCA sequer pensou em entrar numa sala de estúdio entender o que digo. Imagine você, arranjar e pré produzir (escolher timbres de instrumentos, definir nuances nas faixas, estabelecer rupturas nas estruturas criadas simultaneamente) durante três meses um disco. Isso significa tocar EXAUSTIVAMENTE as músicas pra que elas ganhem corpo e estrutura definidas. No nosso caso com ênfase ainda maior no exaustivamente por que pretendíamos gravar ao vivo, com todos os integrantes tocando ao mesmo tempo – sim, não deu certo. Depois de tamanha labuta, pense como deve ser entrar dentro da sala de estúdio gravando instrumento por instrumento com cerca de três takes de gravação para cada instrumento, para cada música de um álbum de 10 faixas. Isso implica no exercício de gravação de 120 músicas (quase) ininterruptamente. Sem citar, é claro, nossa teimosa mania de inventar moda – especialmente Eduardo Curi, o produtor – ao decidir gravar TODAS as faixas em DOIS baixos diferentes: um Fender e um Ibanez, totalizando 150 takes gravados e armazenados no nosso projeto no Pro Tools. Não quero contabilizar os Overdubs de guitarra pra não parecer ainda mais massante. Esse processo é mecânico e um pouco escalafobético a medida que ao final das gravações todo mundo se torna um psicopata em potencial.

No entanto, a gravação trilha por trilha – cada instrumento gravado separadamente – permite, de um modo que não acontece nas outras formas de gravação, ver a música ganhar corpo em todas as suas camadas. Isso, apesar de toda a via sacra, é profundamente gratificante. Você acompanha um disco surgindo como quem vê um bebê desde o embrião. De repente surgem os membros, a cabeça vai ganhado forma e aos poucos o que era, digamos, indefinido, surge com os olhos do pai, o queixo da mãe, a boca da avó e aquelas características todas que uma tia-avó octogenária adora atribuir a alguém. No nosso caso, vemos as a bateria, o baixo, as guitarras e a própria voz com a cara das ideias que cada um trouxe ao longo do processo e, claro, das referências e influências daquele projeto. Material perfeito, aliás, pra um crítico musical – ou alguém que adora se passar por – que vai (tentar) distribuir características e elementos da música a alguma banda ou artista, como a nossa querida tia-avó octogenária.

Postado por Nobat
Segunda, 12 de dezembro de 2011

Era uma terça-feira, feriado nacional. Chovia absurdamente e a ressaca de um fim de semana destruidor ainda deslizava levemente sobre meu corpo. Havia uma preguiça grotesca de levantar do sofá e enfrentar aquele temporal que me encarava no fundo dos olhos e me intimidava como há muito não acontecia. O dia nasceu opaco e cinza, como meu ânimo.

A noite anterior havia sido maravilhosa. Risos, discussões acerca de toda sorte de temas e muito rum e uísque. Pré-visualizações sobre um futuro próximo, o mercado da música, a ideia de um novo movimento propondo novas estruturas com a reunião de várias linguagens eram ditas com uma certeza maior que nós mesmo, era o álcool provavelmente fazendo efeito.

Muito além do temporal, da ressaca e dos lapsos de memória – pra lá de agradáveis – de uma noite regada a álcool, talvez além do próprio álcool, existia uma vontade de fazer acontecer. Houve uma paquera incrível com a ideia de materializar a ideia. De tornar real aquilo que é pensamento, que é discurso. E tudo contribuía insistentemente pra que a paquera se materializasse e se tornasse um beijo.

Pra além de todas as coisas, havia um olhar curioso e entediado. Meus olhos, ainda que caídos, fitavam ininterruptamente a sala em busca de algo que sucumbisse essa força chata que impedia abruptamente qualquer rascunho de movimento do meu corpo fraco. E pra além do olhar estava a música.

Era um guitarra elétrica desafinada com uma corda arrebentada, alguns pedais velhos e um amplificador aos pedaços. O cabo precisava ficar numa determinada posição pra funcionar. Não havia caneta nem papel e, caso houvesse, minha ressaca não permitiria vê-los, quiçá pegá-los. Mas o violão era a força que me faltava, era o argumento que brota sem avisar no meio de uma discussão fervorosa exatamente naquela momento em que você já se preparava para aceitar o que seu adversário fundamentava. Era uma terça-feira, feriado nacional que comemorava a proclamação da república. Chovia absurdamente uma chuva teimosa e confusa. Havia uma ressaca e boas lembranças.

Surgiu uma nova canção. Diriam os críticos que era por demais Broken Social Scene e que me afeto muito facilmente por aquilo que consumo. Ou, quem sabe, que era uma mistura do White Lies com Peter, Bjorn And John com uma pitada do trabalho solo do Julian Casablancas, Yeah Yeah Yeahs, e talvez algo de Kings Of Convenience, Dead Can Dance, Curtis Mayfield, PJ Hearvey e Tom Waits. Poderiam – e deveriam, espero – falar que havia algo de Caetano, Adriana, de Clarice.

Nada disso eu aceitaria sinceramente. A música que nascia era algo tão novo quanto à repressão causada pela chuva. Era tão nova quanto a noite regada a rum e uísque. Tão nova quanto os risos e as lembranças. Era minha, mais minha do que eu mesmo, que já pertencia e refletia todos os nomes citados acima e muitos outros. Ela me levava pro futuro, pro moderno. Já a ouvi com banda, mas preciso ajustá-la na cabeça.

Surgiu uma nova canção…

Postado por Nobat
  • Dez
  • 2011

Comentários

bekasilva - 11/03/2012

nossa , amei as musicas da banda *-* virei fa de vcs ... parabéns :)

Boa Vista . RR
Studio Sol