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SOLANO JACOB

Roots Reggae | São Paulo / SP

Solano jacob é professor, escritor e músico de grande influência no cenário do Reggae nacional. há mais de doze anos vêm atuando em todo o Brasil e inclusive no exterior no intuito de aliar a música à educação no processo de construção do ser humano.

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Terça, 31 de agosto de 2010

MATÉRIA 02 - SABOR ARTIFICIAL

O corpo humano precisa ter um fluxo de energia constante com o meio ambiente para se manter. Nós somos animais homeotermos, o que significa que em condições normais, nossa temperatura é constante. Não importa se está frio ou calor, assim é necessária energia para aquecê-lo. Também precisamos de energia para muitas outras funções: para mover músculos, para digerir alimento, para o batimento cardíaco e até para pensar.

Um homem pode viver até cem anos, mas suas células estão sempre sendo renovadas. A cada sete anos em média uma pessoa troca todas as células do seu corpo, com exceção dos neurônios que também se dividem, porém de forma menos flexível. A questão é, de onde vem toda essa energia que mantém em atividade metabólica não só o homem, mas todos os animais, plantas, bactérias e fungos existentes?

O importante ao sabermos sobre isto não são as minúcias do processo em si, mas a possibilidade de compreendermos que nosso alimento é algo sagrado e que a natureza realiza um grande esforço para que ele chegue até nós, desde o momento que é plantado até ser preparado no calor do fogo. Toda a qualidade e saúde de nossas células, tecidos e órgãos muito depende dele, negar seu valor é aprovar explicitamente a autodestruição.

Há cerca de um século, a população mundial vivia predominantemente no campo. As famílias ou comunidades geralmente produziam seu próprio alimento, o contato com a mãe terra era muito mais intrínseco e por isso o alimento não era visto como um objeto que se põe na boca para sentirmos sabores, mas uma benção de Deus que nos provê a força para viver. Hoje em dia, o homem vive em sua maioria aglomerados nas cidades. E por causa desse grande número de pessoas e do estilo de vida urbano demasiadamente acelerado, o homem não mais acompanha de perto a produção do seu alimento. As pessoas amontoam-se em apartamentos minúsculos onde não é possível plantar nada e, com a correria do dia-a-dia, muitos preferem consumir comida congelada rapidamente aquecida em micro-ondas ao invés de passarem algum tempo cozinhando e lavando louças.

O alimento virou produto de mercado e nesse processo, aos poucos se perdeu o entendimento de que ao comer, estamos ingerindo substâncias que em breves instantes serão partes funcionais de nós mesmos. Perdeu-se a sensibilidade e isto aconteceu porque a vitalidade do alimento foi retirada, uma característica que não pode ser simulada em laboratórios como se faz com os nutrientes.

A comida processada artificialmente não possui valor nutricional algum, pelo contrário, até enfraquece o sistema imunológico. Peguemos o exemplo da Coca-Cola, marca avaliada em mais de 65 bilhões de dólares e que ficou em primeiro lugar na Best Global Brands 2007, pesquisa que avalia as cem marcas mais valiosas do mundo. Sua fórmula contém os seguintes ingredientes: água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante INS 338 e aroma natural. A lista é grande, mas realmente nenhum dos ingredientes pode ser aproveitado pelo organismo. Em cada litro de Coca-Cola há 120g de açúcar branco, uma substância adocicada, um antinutriente mortal para milhões de pessoas, segundo William Dufty em seu livro “Sugar Blues”.

Tente deixar por um dia um pedaço de osso de galinha num copo de Coca-Cola e veja o que acontece. Pense em seguida o que pode acontecer com os seus ossos sobre o efeito deste refrigerante, após bebê-lo por décadas quase que diariamente. Muitas empresas de produtos “alimentícios” como a Coca-Cola, possuem estudos científicos que comprovam que seus produtos causam diversas doenças aos consumidores. Contudo, preferem ficar em silêncio.

Uma lei recente obriga o aviso da seguinte frase acompanhando os comerciais de refrigerantes: “Pratique esportes regularmente”. Vamos pensar com todo bom senso que Deus nos deu. Por que este tipo de mensagem tornou-se obrigatória no anúncio de um produto que deveria ser considerado um alimento? Na verdade, os fabricantes sabem que tais produtos são venenos que agem lentamente no organismo do ser humano e por isso firmam acordos bilionários com a indústria farmacêutica, as produtoras de remédios que curam enfermidades causadas pela má alimentação

O processo de artificialização dos alimentos é insano, o homem decididamente quer brincar de Deus e juntar em dez minutos o que a natureza levou bilhões de anos para fazer. Mesmo se refletirmos sob o ponto de vista da evolução darwiniana chegaremos à mesma conclusão. O corpo humano evoluiu desde os seres unicelulares e tal fato aconteceu por meio de um processo histórico evolutivo e gradativo. Como pensar em romper as interações vitais dos seres com o meio ambiente e esperar que nada de prejudicial aconteça?

No alimento processado, os ingredientes são todos refinados. Refinar significa fragmentar, dividir, parcializar. Quando o açúcar é refinado, todos os nutrientes, fibras, vitaminas e coenzimas presentes na planta íntegra, são desperdiçados, jogados fora. Tudo para que seja obtida somente uma parte específica: a sacarose. A sacarose é um dissacarídeo formado por uma molécula de glicose e uma de frutose. Quando ela é ingerida ao tomarmos um copo de garapa (caldo de cana), todas as substâncias lá presentes (fibras, vitaminas etc) terão papel crucial no seu próprio metabolismo, mas o que acontece quando ingerimos isoladamente aquele pozinho branco, o açúcar refinado? Primeiramente, a sacarose precisa ser digerida pelas enzimas do trato digestório em suas partes elementares para, em seguida, ser absorvida. Ao cair na corrente sanguínea, o nível de glicose aumenta rapidamente e este será um sinal para que a insulina seja liberada no sangue para controlar a concentração excessiva. Este mecanismo é fisiológico, mas será que ele pode ser superestimulado sem limites?

Ao atingir o interior das células, a glicose precisa ser metabolizada, queimada como um combustível para gerar energia ou, então, ser armazenada no fígado e músculos sob a forma de glicogênio para ser utilizada posteriormente. Mas como nosso organismo vai metabolizar a glicose, se as substâncias que funcionam em conjunto no processo foram eliminadas durante o refino? Nosso corpo não sabe distinguir um alimento parcializado de um integral; quem deve fazer isso, antes, é o espírito que nele habita e que tem a responsabilidade de decidir o que comer ou não. O açúcar está presente em praticamente todos os alimentos industrializados muitas vezes “disfarçado” em alimentos que aparentemente não são doces. Existe açúcar na composição das massas, no molho de tomate, nos biscoitos de água e sal, nos salgadinhos, molhos em geral, em temperos, em iogurtes, sucos e até no pão francês. Quando foi descoberto, há mais de 1500 anos, o açúcar era usado em doses mínimas e, nos casos de tratamento médico. Atualmente, cada brasileiro consome em média cerca de 150 gramas por dia, totalizando 55 quilos por ano.

O número de diabéticos cresce cada vez mais no Brasil e suas causas podem ser diversas. Existem casos de diabetes congênita, casos em que ela está associada à idade e obesidade, como a diabetes tipo II. Mas é inegável sua relação direta com o consumo desenfreado de açúcar. Em 1984 existiam no Brasil 6,4 milhões de diabéticos. Em 1996 eram 10 milhões e, atualmente, estima-se que 70% da população seja pré-diabética com episódios de hipoglicemia, um estado inicial da doença no qual o pâncreas produz insulina em excesso em resposta a sacarose ingerida. A diabetes é a doença que mais mata no mundo depois do câncer e das doenças cardíacas, com uma média de 400 mil mortes por ano nos Estados Unidos. Em comparação com uma pessoa sadia, o diabético tem 25 vezes mais chances de ficar cego, 17 vezes de apresentar problemas renais, 40 vezes mais tendências a gangrenas e amputações e duas vezes mais propensão a problemas coronarianos.

Não só o açúcar é refinado, o sal, o óleo e a farinha também são. No processo de preparo da farinha de trigo, por exemplo, a casca que contém fibras, importantes para o bom funcionamento intestinal, bem como outras substâncias benéficas são separadas para se produzir ração para animais. Na verdade, os animais se alimentam melhor do que nós, porque o que o consumidor compra na verdade é só amido.

A indústria alimentícia sabe sobre o baixo valor nutricional dos alimentos que produzem e, então para disfarçar o problema adicionam os chamados “enriquecedores”. No caso da farinha de trigo usam o ácido fólico, no sal usam o iodo e em diversos produtos como iogurtes, achocolatados e biscoitos, adicionam-se vitaminas e sais minerais como cálcio, potássio e zinco. A lógica deste processo de produção de alimentos é inexistente. Não há como compreender porque se “empobrece” o valor vital do alimento, processando-o industrialmente, para depois “enriquecê-lo” só com alguns de seus componentes, geralmente aqueles que estão mais em moda.

Isto é mais um fato real, até comida virou artigo da moda. Se as empresas que produzem farinha de amido de milho tivessem que repor todos os nutrientes que foram descartados no seu processamento, esta lista seria imensa e conteria milhares de itens. Contudo, a mídia faz as pessoas acreditarem que se comerem Nescau com vitamina B12, e ferro, seus filhos terão um bom desenvolvimento neurológico e não sofrerão de anemia. Muitos são os responsáveis por esta insensatez: os que fabricam estes produtos e os que outorgam a legislação que permite a propaganda enganosa. São criminosos que se aproveitam da ignorância das pessoas que não têm conhecimentos específicos sobre fisiologia e, portanto, não sabem que a assimilação e utilização de um nutriente não dependem somente da sua presença, mas de um sistema complexo que envolve a integração de todo o organismo.

Para que estes produtos “alimentícios” sejam vendidos, pouco importam as consequências. Apela-se para a fraqueza animal do homem: o desejo. Basta perguntar a qualquer criança o que ela prefere: uma barra de chocolate ou uma cenoura cozida com sal no vapor. Todos temos o direito de sentir prazer e apreciar o que o mundo nos oferece, mas isto não pode ser uma desculpa para confundirmos felicidade com sensações.

A diferença é muito simples, o prazer é transitório e efêmero e por causa disso é preciso sempre buscá-lo novamente. Mas por que ninguém se vicia em comer brócolis? Ele não é saboroso? Claro que sim! Porém, ele não existe para alienar o homem e sim para garantir seu sustento.

Diferentemente ocorre com os alimentos laboratoriais que são criados para ludibriar as pessoas e fazer com que se tornem consumidores contínuos. Tudo é minuciosamente pesquisado para viciar cada vez mais os ratos de laboratório, por isso estas rações estão sempre incrementadas com glutamato monossódico, “temperos” nos quais não se sabe a composição, conservantes, antioxidantes, açúcar invertido (alguém sabe o que é isto?) e uma série de estimulantes do sistema nervoso central que, a cada dose, programam o cérebro a “consumir” mais. Não posso me esquecer, claro, dos corantes que dizem ser “naturais”. Que importa se são naturais se não podem contribuir nutricionalmente? Por que se põe corante na comida? Simplesmente, porque são “alimentos” que não existem na verdade, existem apenas na imaginação de quem os fabrica. O verdadeiro alimento já é rico em cores, sabores e tem gosto verdadeiro. A ele não é preciso adicionar “essências”.

Quanto mais atenção prestamos na alimentação do homem moderno, mais concluímos que ainda não aprendemos a nos alimentar. Mas por que isto ocorre? Por vários motivos, mas principalmente porque nos acomodamos, legalizamos a nossa preguiça em realizar mudanças simples de hábitos imaginando que podemos comer o que quisermos para satisfazer o prazer.

Postado por SOLANO JACOB
Terça, 31 de agosto de 2010

MATÉRIA 01 - NAS PALAVRAS DA SALVAÇÃO

Karl Marx em sua obra “Miséria da Filosofia” dispensa longos capítulos discutindo quais podem ser as variáveis que atribuem valor às mercadorias. Aponta por exemplo que o tempo de trabalho para se produzir algo influencia muito no seu preço final. Também sabemos que a lei de oferta e procura pode ser determinante, no caso de mercadorias com seu tempo de produção muito longo. Índios que produzem cestas artesanais para armazenar frutas podem levar até semanas para deixá-las prontas e nem por isto terão seus preços elevados de forma proporcional.

Descobriu-se que manipulando estas e outras variáveis que dão valor às coisas, pode-se transferir capital de uma classe social para a outra. Uma das formas mais comuns atualmente é o que chamamos de crédito bancário. A sociedade dividida em classes A, B, C, D manteve a estrutura dos tempos da monarquia escravista e concentra 90% dos indivíduos entre aqueles que têm menor renda. Por serem muito numerosos proporcionalmente em relação aos que detém o poder, decidiu-se que seriam usados como mão-de-obra mecânica, poucas vezes intelectual. Num mundo moderno onde máquinas podem fazer quase tudo, esta parcela da população, em geral, receberá salários que descontados os impostos nunca serão suficientes para sobreviverem dignamente. O que fazem estas pessoas? Recorrem aos únicos que lhes oferecem a salvação para seus problemas financeiros, os bancos. Assim, paga-se uma taxa altíssima de juros assumindo uma dívida mais difícil de pagar do que se desistíssemos dos sonhos de consumo. De quebra, as grandes corporações repassam aos grandes “donos do mundo” grande parte riqueza produzida pelas mãos dos trabalhadores.

A moda do ano 2000 é uma forma de estimular ao máximo a valorização de certos serviços e produtos e assim continuar trazendo a salvação para a massa. Trata-se de sermos desde já os novos detentores da salvação. Quem somos nós? Infelizmente os trabalhadores do mundo da moda, pedagogos, médicos, músicos, jogadores de futebol, cirurgiões, nutricionistas e uma série de profissões que surgem para tomarem o lugar das igrejas e dos templos. As religiões entre outras funções, tem o papel de mediar o diálogo entre homens e Deus e desta forma conseguir que cada um nós obtenha um futuro descente na mansão dos mortos. Isto tem haver com os valores morais que se situam na mente, na psique. Por outro lado, a ciência disfarçada nas propagandas mais diversas, como veremos a seguir, proclama a nossa felicidade não aperfeiçoando o caráter, mas o corpo, esta máquina imperfeita por natureza.

O índice atual de obesidade na população brasileira já ultrapassou os 51%. Isto significa que realizando o cálculo de massa corpórea, para cada dez indivíduos, mais da metade estará acima do índice considerado normal que vai até 25. A população está ficando doente por causa de um excesso de mais de 3000 propagandas por dia que nos estimulam a consumir uma infinidade de alimentos industrializados ricos em tudo de pior para nos matar em poucas décadas, das chamadas doenças modernas como diabetes, cânceres e infartos.

A população está obesa e conseqüentemente ficando feia. A alimentação transforma o corpo e este transforma a mente. Pessoas obesas não praticam exercícios e por isto acabam comendo mais. E aparecem as celulites, pés de galinha, gorduras localizadas e nas mulheres mais jovens, os seios caem. Todas estas aparições, nós sabemos fazem parte da vida. As pessoas envelhecem e o corpo também se torna menos flexível e com deformidades. Porque se precisa ter medo da velhice? O novo conceito de sucesso contemporâneo diz que perder a beleza externa é perder o poder, o status.

Homens na faixa dos 40 anos e obesos têm mais tendências a desenvolver diabetes tipo II. Esta doença pode causar entre anomalias a impotência sexual e isto acaba se transformando em um problema além da saúde, um problema de relacionamento conjugal. Com tantos problemas para resolver, tantas disfunções acumuladas é preciso de ajuda. E o que as pessoas em geral fazem? Consultam médicos ou profissionais habilitados? Quase nunca. Mas gastam boa parte de seus orçamentos consumindo as mais coloridas e proféticas revistas de moda, beleza e saúde que estão disponíveis no mercado.

Como em muitas vezes as pessoas nem sequer sabem o porquê de estarem em tal condição, acabam não enxergando a causa e facilmente aceitam qualquer tipo de sugestão. Entretanto, os tipos de soluções que se oferece nestas revistas estão fiscalizados, comprovados por profissionais ditos “capacitados” e que assinam embaixo a veracidade das informações sempre baseadas em “comprovações científicas”. Um dos focos das propagandas milagrosas é a questão da obesidade. Exploram ao máximo a problemática e a cada semana surge uma nova terapia, uma nova dieta que promete o fim definitivo do excesso de peso. Isto é tão operante na vida das pessoas quanto os antigos confessionários. Quando se confessa os pecados ao padre, através de algumas rezas se obtém o perdão. Da mesma forma funcionam as formulas mágicas das revistas coloridas, os anúncios oferecem uma transformação radical e se valem de serem as melhores pelo fato de garantirem tudo em pouco tempo, como que num milagre instantâneo.

Quanta mentira! A paciência para aprender a valorizar algo na vida é que de fato nos fortalece o espírito. Se a pessoa levou anos para chegar a tal condição, então como pensar que tudo some do dia para noite. O pior que é subjetivamente as revistas nunca mostram preocupação pelo lado da qualidade de vida em si, mas prometem emagrecimento em nome de colocar o obeso dentro dos padrões de peso, que não são os padrões não de vida saudável, mas os da beleza.

Esta semana mesmo li uma manchete que dizia: “Hipertensão, receitinhas para acabar com este mal”. Se existisse censura moral neste país, estas editoras deveriam ser o primeiro alvo. Hipertensão é um problema gravíssimo de saúde pública e que leva anos para se conseguir um tratamento de controle. E os hipertensos do nosso país gastam suas moedas para terem acesso a receitas miraculosas. Mesmo que fossem verídicas, saibamos diferenciar, não são nestas páginas onde devemos procurar diretrizes para esta questão.

Outra frase sempre comum é aquela do tipo: “Fulana de tal, grande atriz, dá dicas super quentes para você ficar sempre bonita”. Este tipo de anuncio só pode ser direcionado às mulheres frustradas e com complexo de inferioridade. O que é beleza? Somente pode almejar ficar “bonita” o tempo inteiro quem não está, quem não se sente assim. E porque as mulheres não se sentem bonitas? Porque justamente o que se vende é um tipo de beleza que ninguém nunca vai ter.

Outra que me deixou atônito declarava: “Armas para acabar com o inchaço e conquistar a barriga sequinha”. A matéria começava apresentado as possíveis causas dos “inchaços" femininos, entre elas: excesso de hormônios, sal, açúcar e gordura. Em seguida apresentava opções “saudáveis para consumo” que incluíam bastantes vegetais, frutas e hortaliças ricas em fibras. Realmente um vendaval de novidades. Por fim, faziam uma mistura generalizada de um pouco de tudo o que se ouve na boca do povo. Sugeriam chás de cavalinha, cabelo de milho, pata-de-vaca e chapéu-de-couro. Afirmavam que estes chás tinham grande poder diurético e que por isto ajudariam na perda de peso. A garantia maior da qualidade comprovada sobre o que diziam vinha detalhada na última linha do texto - o chá era tão bom que até Gisele Bünchen o recomendara.

Se tudo isto falhar, e certamente não funciona em 99, 9 % dos casos, alguém dirá que foi por azar? Se eu fosse membro do poder legislativo, proporia um projeto de lei para impedir estas propagandas enganosas. Elas são publicadas sempre com todo o conhecimento por parte dos responsáveis, de que ludibriam os consumidores com informações falsas, imprecisas. Um exemplo, pessoas com a chamada “barriguinha” que significa acúmulo de tecido adiposo (gorduroso) na região abdominal, jamais poderá tê-la reduzida em tamanho nem que tome 1 litro de diurético por hora.

A falta de conhecimento teórico, prático e sua banalização são muito perigosas. Podem provocar mais males ou até agravar situações já emergentes de diversas patologias. Imagine se um consumidor da revista já sofre de disfunções renais e decide tomar fitoterápicos com grande poder diurético e sem critérios?

Enquanto nada muda, nós continuaremos ser bombardeados por promessas de uma paz que nunca chega, de sermos quem nunca quisermos ser. Existe uma determinação para sermos como eles querem, temos que fazer isto já, eles dizem. Não ser bem sucedida como a Gisele é ir para o inferno porque ela já se tornou a imagem do Deus que é vendido nas esquinas, nas bancas. Se quisermos ir para o céu, um céu bem específico onde não seremos ovelhas, mas super estrelas da beleza, ouçamos as palavras da salvação.

Postado por SOLANO JACOB
Terça, 31 de agosto de 2010

PRÉFÁCIO DO LIVRO - A FÉ E A RAZÃO

Tínhamos um sonho, o sonho da pureza total, tudo o que fosse considerado sujo deveria ser eliminado: vírus, bactérias, vermes e parasitas, inclusive qualquer pessoa que viesse a ferir a nossa escolha de sermos limpos. Sujeira é uma palavra que vibra negativamente. Lembra doenças, pobreza, miséria, descaso, abandono e, certamente nós que podemos comprometer o nosso bem-estar nos misturando a ela, precisamos de todos os recursos modernos para combatê-la.

As favelas, por exemplo, são locais de muita criminalidade. Lá vivem pessoas convivendo com muita sujeira, ratos e fezes que bóiam nos córregos que passam no fundo de suas moradias. Este é o exemplo de uma das maiores imundices da humanidade e também o maior exemplo da nossa vontade em extirpar todas as pessoas que podem interferir na nossa nobre qualidade de vida. Quem mora em favela já é segregado socialmente só pelo fato de ser favelado, um conceito que já o define como indivíduo. Não importa seu nome ou virtudes que tenha, antes de tudo ele será sempre um favelado. Será uma pessoa suja que para ser aceita por seus semelhantes deverá passar pelo crivo de uma série de instituições como escolas, igrejas, hospitais e prisões, até que ele mesmo possa se convencer de que é necessário tornar-se uma pessoa limpa.

Este sonho não se tornou realidade porque graças ao Universo entrópico, a sujeira não fica quietinha no seu lugar preestabelecido, acaba voltando e, lamentavelmente mistura-se novamente entre todos nós, os agentes da limpeza, sempre reconhecidos entre si pela brancura impecável. Não se pode eliminar uma sujeira inexistente que só incomoda aqueles que se preocupam com o seu próprio umbigo.

Parece que somos livres porque decidimos viver na brancura. Mas nunca fomos tão prisioneiros quanto agora porque somos prisioneiros de nós mesmos. O que vale mais, um futuro seguro e regrado ou um futuro inseguro e sem regras? As incertezas para o amanhã estão deixando o homem desesperado, ninguém se preocupa com o que será legado para as gerações futuras porque nem se sabe se tais gerações existirão. Hoje se paga uma fortuna em seguro de vida, em seguro residencial, em seguro de automóveis, mas o medo ainda persiste. Ninguém pode assegurar nada porque não temos o controle da situação, não temos sequer o controle de nós mesmos.

No contexto de salve-se-quem-puder não há um apoio, um referencial para se guiar, pois ninguém confia mais em seu semelhante. Será que Deus morreu? Será que Nietzsche virou profeta? Este mundo tornou-se um pasto de bois que só conseguem olhar para si mesmos e nunca vão encontrar nada. E quem de fato são os bois? Ora, somos todos nós sem exceção, inclusive este que vos escreve. Diante deste quadro deprimente somos todos autores, somos todos pessoas ainda muito atrasadas no que se refere à vida em sociedade.

Qualquer ser humano capaz de compreender que sua ignóbil lucidez não é a força maior deste Universo sabe também que a vida de um narcisista é uma vida de solidão, a antivida. O homem moderno está pendendo para o isolamento. O número de pessoas que moram sozinhas aumenta cada dia mais e as relações humanas se volatilizam. Hoje em dia até pratica-se sexo pela internet com uma câmera e um microfone. O sentimento também está desaparecendo e muitas pessoas procuram os especialistas com uma angústia crônica: acabam seus relacionamentos afetivos e não conseguem sentir nada pelo próximo, nem sequer desprezo. O homem necessita reencontrar a si mesmo, mas o que é preciso para tanto? Livros de auto-ajuda, massagens, terapias orientais, religiões? Na verdade, precisamos menos disso, do que nos enfiarmos no meio da sujeira, aquela que fede e impregna nos cabelos e na pele. Quem sabe no meio dela poderemos encontrar um pouco de sinceridade, esperança, um raio de vida. Não pregava Jesus entre os moribundos, os coxos e os cegos? Não dizia Ele que quem necessita de médicos não são os de boa saúde?

Postado por SOLANO JACOB
  • Ago
  • 2010

Comentários

bomdelaco - 20/11/2011

Um abraço a toda essa galera! Já nos tornamos FÃ!

Forrozão Bom de Laço - Laçando e Derrubando

Forro e Vaquejada

Valente . BA
Studio Sol