
Reginaldo Bessa, cantor e compositor. Tem mais de 40 anos de atuação na MPB e foi o primeiro brasileiro a gravar bossa nova no exterior:seu LP de 1963, Amor en Bossa Nova, agora relançado.www.reginaldobessa.com.br
leia o release completoPerdão, leitores. Houve um erro crasso de português no meu blog anterior.
A forma verbal correta é "distinguo" e não distingo como escrevi. Foi mal...
Postado por Reginaldo BessaAVES
Chego à janela e vejo um bando de aves, umas 20, no clássico vôo em forma de V. É sempre um belo espetáculo, que passa rápido e me deixa pensativo. Desde quando isso acontece, esse sentido de coordenação , essa vontade de irem juntas num mesmo objetivo?
Não distingo de que tipo são, se gaivotas ou gansos, mas pelo menos reparo que não são andorinhas, pela altura em que viajam. Gente que estuda esses fenômenos explica a técnica desse miraculoso vôo conjunto, quase sempre de migração, onde a cooperação mútua atende aos propósitos de sobrevivência de todos. A liderança é exercida alternadamente pela ave mais descansada. Se alguma se fatiga e se atrasa, duas delas vão ao seu socorro, seja para orienta-la ou dar-lhe novo ânimo. E assim vão todas, unidas pelo companheirismo, superando as distâncias e cumprindo sua parte no magnífico show da Natureza.
Cogito, como todo mundo nesses momentos cruciais em que vivemos, que a resposta à vida está nesses pequenos exemplos que nem notamos muito. Poderíamos aprender com essas mostras de equilíbrio que os ditos irracionais nos dão. Preferimos destruir tudo com nossa arrogância, nosso egoísmo, que nos está levando para um abismo inevitável. Que tal imitar os gansos, nem que seja um pouquinho?
Postado por Reginaldo BessaAMOR EN BOSSA NOVA - a legendary album
The bossa nova is not a musical scheme on a straight line, ready and unchangeable like some might think. Yet its basic suggestions are very clear: the using of different chords, the melodic motion plus the instrumental and singing performance within a soft and charming mood. But its aim is artistic freedom, whose approach is the jazz together with the samba. There is the basis, but not the entire pyramid. The bossa nova is not something created... it is a style for creation... Telling this, one can say that even in Brazil, the birthplace of bossa nova, there are some artists that have touched the very truth of this genre without falling in imitation, repetition and pure adulteration. Reginaldo Bessa, 25 years old and born in Rio de Janeiro, is a good example for the bossa nova style in its true expression, with eight own compositions on this LP, revealing fine inspiration not only in the melodies but also in the lyrics. Moreover he is a guitarist with unsurpassed sense of balance and harmony. And above all is his exceptional personality as a singer with a personal style solely remembering of himself. We can say another thing: the art of Reginaldo Bessa exists not only within the bossa nova. In addition it carries a new wind in the Brazilian way to do music. Author of more than fifty songs including sambas, romantic songs and others with popular flavor, his creative punch has put him in the new road. Since his very beginnings, his work as a composer and singer reaches over all the forms of Brazilian music. He studied various stylings over several years, mainly the masterpieces of Dorival Caymmi with his great inspiration as a songwriter, and consequently included two of his songs into the recording sessions. As a homage to the Latin American people, he also included two sambas in Spanish. One of them is “El amor hace llorar”, that is among his latest compositions. The arranger of this recording was Miki Lerman, whose love for Brazilian music guaranteed an essential ambience for the artistic quality of “Amor en Bossa Nova”. After all, Reginaldo Bessa stands out as a young composer of the new Brazilian generation internalizing the main musical quality that the people want to receive from an artist: complete sincerity. What more can you expect? (Translation from original liner notes)
Postado por Reginaldo BessaGABIROBA
O Rio Gabiroba era claro e bom. Despencava lá dos cimos de Petrópolis e vinha se apertando entre pedras e árvores até se amansar lá no Magé. Não era rio de muito peixe, por ser muito irregular, de corredeiras curtas, difícil para a piracema, principal tarefa dos bichos d’água. Limava com esmero os seixos do caminho, talhando a montanha numa eternidade de trabalho, daí aquelas peças de redondo valor, parecendo feitas por mãos de homem , com máquina e tudo. Mas era só o Gabiroba o artesão. Vinha saltando como um cabrito, volteando aqui e ali, em cachoeiras espumosas e poços de saciar a sede e esquecer o peso do corpo.
A gente alcançava o rio descendo a picada da ribanceira. Segurava-se nos cipós e troncos envergados e em cinco instantes chegava lá, no paraíso.Todos pelados, mergulhávamos naquela água generosa, gritando mais alto do que o barulho do ambiente, numa alegria sem fim. Era o banho vesperal, a coroa do dia. Eu , meu irmão e o três primos – entre oito e quinze anos – fazíamos ali a nossa festa diária. Rio sem margens é rio escultor de pedras. grandes e pequenas, rio de mergulho. Roberto era o mais maluquinho de todos, se jogava de cinco metros em direção aguda, não esparramava nada, uma beleza. Menos atlético e decidido, eu ficava ali mesmo no poço, treinando o nado cachorrinho dos principiantes, mas não menos contente.
Dia ruim foi o da cobra, susto dos grandes. Caçula, o primo mais taludo, pegou na forquilha uma peçonha das bravas e esmagou-lhe a cabeça com firmeza. Mas sem avisar se era viva ou morta, jogou-a em cima do meu irmão, que quase voou de medo. A brincadeira custou caro. Refeito, vendo o bicho desvalido, Luiz partiu como uma fera sobre o primo, às trombadas. Noite de mercúrio cromo, compressas, pito da tia e uma semana sem ir ao Gabiroba. E eu que não tive nada a ver com isso...
Postado por Reginaldo BessaANIVERSÁRIO DE DELCIO CARVALHO
Dia desses o Delcio Carvalho completou 68 anos. Presente debaixo do braço, uma antologia do poeta Schmidt, lá fui eu para a festança com a patroa Beth ao lado.
Era um sábado ensolarado, do tipo que espicaça a sede por um chope bem tirado, no fino do limite. Em encontro de sambista isso é coisa que não falta.
Muita gente simpática no apartamento de Laranjeiras. Bertha se empenhando em atender a todos com aquela simpatia que só ela tem. Compadre Delcio, bonachão como sempre, demonstrando impecável forma para a nova idade.
E tome chope e tome conversa. Nelson Sargento contando o acontecido no Carnaval, o infeliz evento com a roupa da Mangueira, e as histórias deliciosas de sempre, o eterno desfiar de glórias sem fim, ele, um baluarte da verde-rosa.
Batuque na cozinha sinhá não quer. Mas um grupo já fica ali perto das panelas fumegantes, bebericando e já olfatando as delícias que virão. Batuque mesmo não rola. O que corre é uma conversa sobre música em que música de fato não soa. O que acontece são conversas sobre tais e tais sambas de enredo, determinada canção que todos adoram, e uma série de observações sobre essa arte tão abstrata e ao mesmo tempo tão familiar. Pra mim não há coisa melhor do que papo sobre música, ainda que ninguém toque nada na hora.
Na parte da frente, lá no living, o que havia era papo de futebol. A voz dominante era do Nelsinho Rodrigues, o barbudo tricolor, figuraça do Rio, desfiando para os jovens ouvintes o deslumbramento do futebol brasileiro, Pelé, Garrincha, Didi, essas coisas.
Pela força da idade e do interesse, uni-me logo ao Nelsinho, voltando no tempo com as histórias, escalações, lances e atletas que fizeram história. Era o maior varandão da saudade.
E veio a galinha à cabidela. Polenta de primeira. Feijão memorável. Verduras e legumes no capricho. Houve uma senhora simpática que me preparou umas caipirinhas com lima da pérsia. Evoé!
Muito doce na parada: queijadinha de responsa, jujuba, quindim, e até um incrível bolo com vela e tudo. Pra ninguém botar defeito.
Delcio circulava por aqui e ali, saudando com efusão os que chegavam. Paulão Sete Cordas, Franklin da flauta, Juarez, Alemão, tudo gente da melhor qualidade.
Saí de lá por volta das 9 da noite. Foi uma tarde inesquecível. O grande compositor Delcio Carvalho fazendo 68 anos, cheio de saúde, esbanjando amizade. Deus o guarde.
Postado por Reginaldo BessaBOM TRABAHO! GOSTEI DAS MÚSICAS, DESEJO SUCESSO .. BJSSS (NAJARA LHEANDER)
Cascavel . PR