
"Se Quentin Tarantino tivesse ido beber em um bar com Eddie Cochran e os Cramps, o resultado com certeza teria sido uma música do Eles Mesmos. A banda é ótima em usar clássicos do rock'n'roll, rockabilly beeeem redneck,ska e surf music (...)
leia o release completoO Vinil Nosso de Cada Dia
Alguém aí perguntou “que vinil”? Estou falando do disco de vinil mesmo, aquele bolachão preto também chamado (pelas nossas vovós) de long-play, ou LP, o bom e velho LP do povo. Ele escapou da morte anunciada e completou 50 anos em novembro de 1998. Ah, por quê decretar o fim do disco de vinil? Ceifaram-lhe a vida antes mesmo de entrar na menopausa.
Mas esse tom melodramático adotado por mim não precisa ser levado mais adiante, já que o vinil parece estar ressurgindo das cinzas, talvez um pouco mais timidamente que a Fênix…
Os famosos “bolachões” não desapareceram, como muitos pensam. Só não estão tão à vista como antes. Uma das vantagens é que grande parte deles pode ser adquirida por um precinho camarada.
Bem, o que importa é que o dito cujo está voltando aos poucos, pelo menos lá fora. Dado como morto pela indústria, banido das lojas (que pecado!) e há até pouco tempo apenas um traço nos índices de consumo musical, o vinil girou, girou e deu a volta por cima. Agora, após completar 50 anos de vida, ele sobrevive nas prateleiras de colecionadores ao redor do mundo.
Salvo da morte principalmente pelas mãos dos DJs, o vinil ainda respira e fez aniversário com estilo. Ao mesmo tempo em que foi assunto de capa da edição de outubro do ano passado da revista inglesa “Muzik”, viu suas vendas crescerem na Europa (Inglaterra, em especial) pela primeira vez em dez anos, enquanto o CD, seu maior algoz, tem seus índices estacionados. Nada mal para um ícone musical de tempos passados que já estava se transformando em peça de museu.
Muitos artistas famosos ainda não tiveram seus trabalhos editados no sistema digital. A saída? Novamente ele, o vinil.
Nascido em novembro de 1948 (seu criador foi Peter Goldmark), o disco de vinil acompanhou praticamente todos os grandes momentos da música pop – o surgimento dos Beatles, o fogo de Jimi Hendrix, a poesia de Bob Dylan, a contracultura, o psicodelismo, o punk rock, a discothèque, etc. Mas com a chegada do CD (compact disc) nos anos 80, e sua posterior popularidade, ele foi sendo deixado de lado gradativamente.
Para a indústria do disco, era assim que tinha que ser: o CD era mais prático, ocupava menos espaço, tinha uma excelente qualidade de reprodução, possibilitava um armazenamento maior de músicas e – a gota d’água – não arranhava!
Num piscar de olhos, o vinil foi sendo empurrado para o canto das lojas e depois erradicado totalmente delas. Grandes cadeias, aqui e lá fora, simplesmente deixaram de comprar discos de vinil. No Brasil o “holocausto” do vinil não foi tão rápido quanto no exterior. Mas embora tardiamente (?), aconteceu. Parecia o fim. Porém nem todas as pessoas se conformaram com essa morte anunciada.
E foram os DJs (disc-jockeys) e o público que os segue, os principais responsáveis pela salvação do vinil. (Não esqueçamos também os colecionadores de plantão e amantes do LP, como eu aqui). Com a chegada da acid house e a revolução eletrônica, com estúdios caseiros e selos independentes pipocando por toda a parte, o vinil ganhou força novamente.
A crise cambial brasileira, entre outras tragédias, dificultou o consumo de CDs importados. O produto nacional foi no embalo e aumentou mais um pouquinho; mais um ponto a favor do vinil: tornou-se uma ótima opção para quem tem sede de comprar e conhecer discos, mas não pode pagar o alto preço dos CDs. (Faça as contas comigo e constate: com R$ 20, preço médio de um CD, você pode comprar quatro LPs usados em bom estado, por R$ 5 cada – ou até dez LPs, dependendo da oferta. Tem pra todos os gostos).
Para Ben Willmot, da “Muzik”, o CD, conveniente e facilmente digerível, virou “o McDonald’s dos formatos musicais”. O vinil, não. Com DJs tocando white labels (discos sem selos, de prensagem limitada), o vinil ganhou ares revolucionários, subversivos até. Renascido lá fora, o disco de vinil ainda busca forças no Brasil, onde selos independentes – que poderiam ser seu principal sustentáculo – sofrem para se manter.
“Apesar do charme, o vinil não vende mais no Brasil, o que é uma pena”, diz Manolo Camero, presidente da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos). Mas isso não impede que as coisas mudem. O vinil pode voltar, não como em seus áureos tempos de glória, admitamos, mas direcionado apenas para os colecionadores e DJs. Nas grandes cidades (principalmente Rio e São Paulo), ainda se encontra muita coisa em vinil, em sebos e lojas especializadas.
“O vinil é uma coisa real” – diz o DJ Marky Mark – “Você pega, sente, tem contato direto. É como uma mulher”.
Fonte:Rio Fanzine
Postado por Eles MesmosTem dias...

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