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Drowned

Metal | Belo Horizonte / MG

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Sexta, 03 de agosto de 2007

http://www2.rockbrigade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3010&Itemid=37

Por Antonio Carlos Monteiro

26 de fevereiro de 2007

Pode anotar no calendário: uma vez por ano, no máximo a cada ano e meio, pinta um novo disco do quinteto Drowned. Um dos principais nomes do thrash metal nacional, o grupo mineiro já gravou quatro álbuns e um EP nos últimos cinco anos – e o mais recente é Bio-Violence, petardo que reúne várias escolas do thrash, mas que mantém a garra e a virulência que sempre foram tão caras à banda. O trio fundador do grupo – Fernando Lima (vocais), Marcos Amorim (guitarra) e Beto Loureiro (bateria) – bateu um papo com a RB para falar do novo disco e da eterna guerra que é fazer heavy metal no Brasil.

ROCK BRIGADE – Bio-Violence é um disco curto, menos de 40 minutos. É pra lembrar os anos de ouro do thrash, quando os discos eram curtos, mas diziam tudo que tinha que ser dito?

FERNANDO LIMA – É mais ou menos isso [risos]. Na verdade, quando compomos um disco, não nos preocupamos muito com tempo e quando escolhemos as músicas que farão parte dele, priorizamos as que consideramos as melhores e excluímos as desnecessárias. Acho que assim o CD fica interessante do início ao fim.

BETO LOUREIRO – O disco não é curto, ele simplesmente vai direto ao que interessa. Não somos uma banda virtuosa para ficarmos fazendo discos com megaduração!

RB – A sonoridade também parece mais oitentista, pelo menos nas primeiras faixas. Depois, ele vai ficando com uma cara mais moderna. Mostrar esses dois lados do thrash foi algo intencional? E foi intencional também essa "divisão" do disco, com as primeiras faixas mais tradicionais e as demais mais modernas?

MARCOS AMORIM – Na verdade, só depois que a gente notou que tinha "para todo gosto". Não foi intencional. A gente queria fazer um disco variado, isso foi uma meta para nós desde o início. Porém, não tínhamos idéia de que as faixas pudessem realmente ficar tão diferentes umas das outras sem perder o pique do CD como um todo.

RB – Os timbres das guitarras me parecem mais "gordos" em relação aos discos anteriores. Essa foi uma mudança planejada no som de vocês?

AMORIM – Ah, isso foi [risos]! Quando a gente começou a conversar sobre como seria a timbragem, como o disco iria soar, uma das primeiras coisas que a gente definiu foi que seria um disco com guitarras orgânicas, gravadas com as mesmas válvulas com que fizemos o nosso disco de estréia, mas que soasse "grande" e que as pessoas, quando ouvissem, pudessem pensar: "Que legal, guitarras que parecem... guitarras [risos]!" É muito legal ver que você notou.

RB – Vocês sempre creditam o Marco Amorim como técnico de estúdio e a banda toda como produtora do disco. Como funciona uma produção feita a "dez mãos"? Não acaba em pugilismo?

AMORIM – [rindo] A gente até poderia brigar, mas ninguém leva ninguém a sério aqui! Na verdade, a produção do disco é feita da seguinte maneira: a gente discute o que tem de discutir antes, ajeita as músicas, faz pré-produções e quando vai gravar não tem mais no que divergir, é só executar bem o que a gente combinou. Em todos os nossos discos fizemos pré-produção, então, rola de uma forma bem democrática, seletiva. Acho que é o melhor jeito de trabalhar para nós. A minha parte, depois, fica apenas em conseguir os sons. Nem sempre é fácil, mas a gente vai quebrando a cabeça até dar certo.

RB – O disco tem algum tipo de conceito ou de "fio condutor" que estabeleça uma relação entre as faixas?

LIMA – O que eu acho que pode ser considerado um fio condutor é o fato de as músicas fazerem referências à violência, ignorância, corrupção e exploração dos países de Terceiro Mundo. Problemas do mundo e do Brasil, entre outras coisas. Mas cada música tem seu próprio tema individual e não fazem ligação direta umas com as outras.

RB – Vocês sempre colocaram frases polêmicas nos encartes de seus discos ("Não usamos tecnologia", "Agradecemos aos que nos odeiam" e por aí vai). Dessa vez, não tem nada nesse sentido. Por quê?

AMORIM – Na verdade, os discos anteriores falavam de coisas menos reflexivas, menos "urgentes" para o mundo atual. Então, essas frases expressavam o que a gente queria dizer em relação ao mundo "real". Nesse último, tentamos dar mais profundidade às letras e concluímos que seria interessante não colocar nada além de tudo o que já dissemos nos versos. Foi uma maneira que a gente achou de chamar atenção para as letras, porque, no nosso entender, são as melhores que já fizemos, são um alerta mesmo.

LOUREIRO – Olha, polêmicos são uns idiotas engravatados que querem aumentar os próprios salários astronomicamente. Nós apenas somos sinceros em nossas convicções! E também já incomodamos demais, por isso decidimos dar um tempinho [risos]...

AMORIM – [rindo] É, tem isso também.

RB – O álbum fecha com um trecho de O Guarani, de Carlos Gomes, tocado com violas. O que faz essa música num disco de heavy metal?

AMORIM – Queríamos algo acústico no final e que pudesse completar bem o tema da faixa Hypnosis Against The Tribes. Nós, brasileiros, costumamos ouvir essa música no rádio, já que é a introdução do programa A Voz Do Brasil, que para muitos é sinônimo de "desligue o rádio" ou "insira o CD". Só que é uma música muito rica, feita por um grande compositor e que a gente precisa valorizar. Tocamos aquelas violas para simbolizar o Brasil que "ainda aceita espelhos" e que, apesar de tudo, é bravo. Todos nós temos esperança de um Brasil melhor. Essa foi nossa mensagem e homenagem. Apesar de ser uma música clássica, as idéias se fundem e tornam o disco, no nosso modo de entender, ainda mais coeso.

RB – Como está sendo a repercussão do novo disco? Melhor do que a do anterior?

LIMA – Até o momento, está muito boa, estamos recebendo muitas mensagens positivas sobre Bio-Violence. Parece que cada vez mais pessoas estão gostando do álbum e acho que é justamente por ser um trabalho mais variado e, ao mesmo tempo, mais trabalhado.

AMORIM – Hoje, a gente tem um bom termômetro, que é a internet. Por ela, verificando os acessos, essas coisas, podemos perceber que o disco agradou gente que nunca tinha escutado a banda, o que é ótimo!

RB – A partir de 2001, vocês lançaram quatro discos de estúdio e um EP. Como se explica tanta produção numa época em que as bandas gravam um disco a cada cinco anos?

AMORIM – Na verdade, toda vez que a gente senta com o instrumento acaba saindo algo. Aí, a gente vai registrando as idéias, vai acumulando, fazendo mais, é um processo que não pára. Eu acho que se um músico diminui o seu ritmo, acaba "enferrujando". A nossa tática é sempre fazer música, sem dar pausa. Há bandas que só após as tours se reúnem para começar a compor um novo trabalho. Não é nosso método. Outro lance é que a gente não tem medo: conheço músico que fica pensando no que os "outros" vão pensar, no "estilo" e tal. Nós não perdemos tempo com isso, o som do Drowned nada mais é que um reflexo da nossa personalidade enquanto banda, então, não tem sentido "teorizar" em cima, basta que sejamos nós mesmos o tempo todo, disco após disco.

LIMA – Isso pra nós é parte da diversão [risos]! É o que nos mantém vivos e sempre na ativa. Como o Marcos disse, estamos sempre compondo. Temos idéias para o Drowned o tempo todo.

Postado por Fernando Lima
  • Ago
  • 2007

Comentários

Fábio - 05/02/2012

Mais uma vez galera...........................................
Estou passando para ouvir suas boas musicas
E bombar esse ibope hoje..................................
Também convido você para dançar ................
O bom Axé da((( BANDA AVES DA MATTA)))
E celebrar mais um final de semana .....
Sucessos amigos ............................................
Vamos que vamos esquentar tudo................

Salvador . BA
  • Fev
Studio Sol