
Osvaldo Oliveira começou a carreira cantando em programas de auditório de rádios, no final da década de 1950, depois de largar a profissão de telegrafista na Aeronáutica. O apelido de Vavá da Matinha (uma alusão ao bairro onde nasceu, em Belém, e que
leia o release completoMais Vavá da Matinha!
Segue um texto publicado num blog que tinha até 2006. Mais uma louvada ao Vavá da Matinha. Vale deixar o registro...
Abraços,
Allan Carvalho - Quaderna
O Vavá que conheci...
Tive a oportunidade de conhecer a obra do Vavá logo moleque. Não dei tanta bola, lá pelos 80, pois minha cabeça ainda era colonizada pelos gêneros de fora do país, que aqui também vinham pelos grupos e artistas imitadores desta música enlatada. Ao mesmo tempo que valorizava esses estilos da grande indústria, sem perceber, eu era influenciado pelo meu pai – Seu Sales –, pois era quem escutava e falava, vez ou outra, do Vavá. Na verdade, com todos os outros guardiões de nossa raiz. O processo de olhar pra dentro do Brasil veio de forma bem natural, tal como a musicalidade fluía em casa. Depois que me toquei, fui (re)olhar pra obra do Oswaldo Oliveira, como o Vavá da Matinha é reconhecido fora do Estado. Aí o negócio ficou bom!
Antes de mergulhar nos boleros, merengues, carimbós e outros temperos do Oswaldo, fiquei tarado na genialidade do seu conterrâneo, o Ary Lobo (que irei publicar algo mais na frente), de semelhante sotaque musical. Mas, foi através do próprio Ary que tive a percepção de remexer com o Vavá. Daí pra frente fui, cada vez mais, tendo contato com discos dele, fora as histórias interessantes e irreverentes que o envolviam. Tudo me deixava ansioso, pois, um pouco divergente do Ary, o Vavá sempre mexeu com o seu “paraensismo”, de forma bem colorida. Mais um convite a quem é, como eu, um pouco bairrista.
Esse encantamento broxou ligeiramente quando tive o desprazer de ouvir um CD do Oswaldo Oliveira feito pela FUNTELPA, há uns 6 ou 7 anos. Caramba, o som do teclado imperou neste trabalho. Nada contra o instrumento, mas o fato dele subtrair toda a levada dos metais que sempre acompanhavam a história do Vavá. Bem, de qualquer modo, valeu o fato de ter ele de novo badalado. O lançamento deste CD foi super prestigiado, inclusive no show que aconteceu no Teatro Gasômetro.
“A fartura é a véspera do aperreio”. Essa frase (do popular) foi certeira no Vavá. Após esse auê, ele sumiu. Pouco se ouviu ou se fez por ele. Isso é comum para os artistas populares em idade avançada. Vez ou outra eu via o nome dele pelos jornais ou pela boca dos artistas da terra. Só que aí, em 2006, o Vavá voltou bem. Não com aquele auê que comentei a pouco, mas com uma língua (e que língua – uns 15cm pra fora da boca! Te mete!) mais que afiada. Novamente, a voz dele soou pelas ondas da FUNTELPA.
Aí tive a grande honra de conhecê-lo(deixei uma entrevista publica aqui). Na oportunidade homenageávamos (o Quaderna) o Ary Lobo, em um especial que fizemos no estúdio (Programa Terruá Pará) e depois no Píer das 11 Janelas (Festival Cultura de Verão). A direção sugeriu o nome dele, eu agradeci! Lá estava ele – barrigudo, sacana, ritmado e totalmente artista. Muito papo, muitas histórias! Após estes shows, ele ainda foi convidado a fazer um show só dele. Legal foi ter dele o convite pra participar de seu programa. Depois nos esbarramos lá por Ourém, onde ele era a principal atração da noite, ao final do tradicional Festival da Canção Ouremense. Ele pintou com um baita teclado, sempre vazando nas harmonias. Mas tava perdoado, pois eu estava felizaco em está por perto do Vavá(coisa de fã).
Esse pouco todo, valeu! Conheci um artista de verdade. Tomara que o cabra siga ainda vivo na memória e presente nos eventos e homenagens. Eu, por aqui, tô trazendo seu nome neste blog.
Confiram!
Conheçam ou relembrem desses discos:
Osvaldo Oliveira - Secretária do Diabo (1967)
O cantor e compositor paraense Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, iniciou sua carreira no final dos anos 50, nos programas de auditório da Rádio Clube. Osvaldo fez sucesso com músicas com balanço semelhante às de Jackson do Pandeiro, porém criadas sob a influência do norte do país. Assim, Vavá da Matinha realizava um samba distinto do baiano e do carioca. Em suas músicas estão presentes indicações de sua origem, com referências à Nossa Senhora de Nazaré, o tacacá e o Ver-o-Peso.Algumas de suas músicas de maior sucesso são "Pará E Bahia", "A Beleza Da Rua" e "O Canto Do Galo".
Faixas:
01. Prepara a fogueira (Osvaldo Oliveira - Dilson Doria)
02. Só vou de mulata (Gordurinha)
03. Va lá vá (Elino Julião - Dilson Dória)
04. Secretária do diabo (Osvaldo Oliveira - Reinaldo Costa)
05. Zé do Santo (Luiz Guimarães)
06. Maior tesouro da vida (Osvaldo Oliveira)
07. Côco de pandeiro (Sebastião Rodrigues - José Cardoso)
08. Coitadinha da Inês (Elias Soares - Sebastião Rodrigues)
09. É hoje que a muda fala (Rocha sobrinho - Bernardo Silva)
10. Carreiro Carreá (Assumpção Correa - Nelson Macedo)
11. Salada em familia (Florival Ferreira - Cesar Fontes)
12. Fruteito da Matinha (Osvaldo Oliveira - Fernando Silva)Dando a Letra!
A Secretária Do Diabo (versão cantada por Teca Calazans)
O diabo quando não vem Manda o secretário /Eu não vou nessa canoa Que eu não sou otário. / Eu reconheço que ela é muito boa / Mas não vou nessa canoa / Que dá confusão Quando ela passa / Provocando um desafio / Sinto logo um arrepio / No meu coração. / Não vou na onda / Nem no conto do vigário / O diabo quando não vem / Manda sempre um secretário. / O diabo quando não vem... / Quando ela chega na repartição / É aquele rebuliço / É aquela confusão / Dá um sorriso e se senta na cadeira / Mas de uma tal maneira / Que eu vou te contar / Não vou na onda / Nem no conto do vigário / O diabo quando não vem / Manda sempre um secretário.
Texto: Edson Coelho/2005
Pará sempre fez o Brasil dançar
Fenômeno da Banda Calypso tem suas raízes fincadas na década de 60, na herança de figuras como Osvaldo Oliveira
Precursor - Nas raízes do brega está a fase de ouro da música cubana e o período de afirmação do rock e do iê-iê-iê. Um dos precursores paraenses é o cantor e compositor Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, que começou cantando forró mas, com o bolero (um dos pais do brega), se tornou um dos grandes vendedores de discos do início da década de 70.Vavá debutou no forró e vive até hoje do bolero - primeiro a gravar um merengue com letra, ele se orgulha de ter batido o Rei no Norte e Nordeste em 72 e dá a bênção ao CalypsoOsvaldo Oliveira, hoje com 71 anos, vive em Castanhal e na ativa. Começou a cantar na década de 50 e tornou-se sucesso nos muitos programas de rádio em Belém. Em 1959, mudou-se para o Rio de Janeiro, com uma carta de recomendação de Edyr Proença para a rádio Tupi. No ano seguinte, gravou duas músicas numa coletânea da Continental e, com o sucesso, ganhou o próprio 78 rotações. Em 61 gravaria ainda outro “compacto” e o primeiro elepê, “Eternas lembranças do Norte”, que continha basicamente forró e no qual assinava quatro músicas. Vavá estava na nata dos forrozeiros da época, entre Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.Trocou a Continental pela CBS, onde gravou três elepês e integrou uma famosa caravana de forró, que percorria o Brasil levando o talento de gente como Marinês, Trio Nordestino e Messias Holanda. “Nesta época fui o primeiro a gravar, no Brasil, um merengue com letra”, lembra ele, citando “A Deusa do Mercado São José”. E o melhor estava por vir: um bolero seu gravado por Abdias estourou em vários Estados e um dos diretores da CBS, Evandro Ribeiro, deu a dica: “Estás fazendo filho na mulher dos outros”. No ano seguinte, 1972, Vavá gravou “Só castigo”, disco de bolero cuja música-título foi um dos maiores sucessos do ano e lhe rendeu o maior orgulho da vida. “Num belo dia, ao chegar à CBS, olhei na parede o quadro dos maiores vendedores do ano, e vi meu nome à frente do de Roberto Carlos: eu vendera mais do que ele no Norte e no Nordeste”. Sucesso - “Só castigo” (“Aí está/Aquele amor que pertenceu à minha vida/A quem outrora eu chamava de querida...”) fez tanto sucesso que obrigou as gravadoras a investirem no novo filão, atraindo gente como Reginaldo Rossi, o primeiro grande rei do brega brasileiro. “Posso te garantir que esta música me sustenta até hoje”, diz Vavá. “Em Fortaleza, por exemplo, ela toca tanto que é como se tivesse acabado de ser lançada. Até criança de oito anos canta toda a letra. O sucesso é tanto que, contra minha vontade, penso em morar por lá a metade de cada ano, e a outra metade aqui”.Vavá ainda gravou vários discos de bolero na década de 70, em que pesava sempre seu talento de compositor, mas passou os anos 80 quase em branco, sustentado pelo público do qual seguia ídolo e que até hoje não o esqueceu. Quatorze anos atrás, mudou-se para Castanhal, para ajudar a montar uma rádio (seria o diretor artístico). Mas o amigo que o convidara morreu num acidente de automóvel, e o projeto não se concretizou, a despeito de estarem comprados os equipamentos. Em Castanhal aposentou-se como funcionário da Prefeitura, continua a registrar discos e a fazer shows, e prepara-se para gravar, ainda este ano, seu primeiro DVD. Generoso, Vavá elogia o sucesso da Calypso e diz que se sente uma espécie de João Batista dos ritmos que fazem o Brasil dançar e na defesa de um espaço para o Pará na música brasileira.
Texto completo:
Link: http://www.portalorm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&codigo=144158
Postado por Tony rangel de Paulista/PEVavá da Matinha (01/04/2010)
Vavá da Matinha, que morreu, na semana passada, em consequência de um AVC, foi entrevistado pelo jornalista Euclides Farias, para o Papo no Tucupi, em 18/02/2001. Reproduzimos, abaixo, a íntegra da entrevista e o relato do jornalista.
Foi por um triz. Em 1970, o cantor e compositor Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, escapou da morte ao não embarcar em São Luís no Hirondelle da PTA, a Paraense Transportes Aéreos, que se espatifou na baía de Guajará. Perdeu a hora do vôo, entretido com a beleza de uma prostituta, numa boate maranhense. Hoje, o artista brinca com o episódio ao lembrar que a sigla da companhia de aviação de alto risco significava "Prepara a Tua Alma". Diverte-se ao recordar, com ironia cortante, que a mulher que sem querer salvara-lhe a vida atendia pelo diligente nome de Maria do Socorro.
Onze antes do desastre aéreo, Osvaldo Oliveira, então radiotelegrafista da Aeronáutica, já decidira alçar um vôo mais longo - pela música, com destino ao sucesso. Com 24 anos de idade e nascido em meio à malandragem do bairro da Matinha, ele armou uma conspiração no quartel da corporação. Letrista, intérprete vigoroso e consciente de que a carreira artística só decolaria se sua música fosse ouvida pelos bambas cariocas, o cabo Freire (era o nome de guerra) convidou os milicos da seção competente para uma farra homérica. No dia seguinte, como prêmio pela noitada regada a muita música, estava com a tão sonhada assinatura nos papéis de transferência para o Rio de Janeiro, à frente de sargentos e oficiais.
Foi assim, aliando talento e esperteza, que Osvaldo aterrissou em 1959 no centro cultural do País. De lá pra cá, durante 40 anos, construiu uma das carreiras mais sólidas entre todos os artistas paraenses. Gravou 30 elepês, com repertórios recheados de forrós, merengues, carimbós, sambas de breque, cocos e boleros. À temática paraense dedicou 46 composições e se tornou talvez o maior divulgador de sua terra natal fora dos limites dela. Do radialista Elói Santos ganhou o apelido Vavá da Matinha. Foi um dos artistas mais disputados para shows pelas casas noturnas de Belém, sobretudo na época de ouro da Condor, a zona boêmia mais famosa que a cidade já teve.
São da verve de Osvaldo Oliveira as nostálgicas Telegrama (Recebi um telegrama/Do meu velho pai/Me pedindo pra voltar/O meu pai é fazendeiro/Na ilha do Marajó/No Estado do Pará) e Este ano irei a Belém (Uma boa caranguejada/Um banho de água doce/Lá no rio Guamá/Se Deus quiser/Este irei ano eu irei a Belém do Pará").
Lançado em 1972, o maior sucesso de público é, até hoje, o bolerão Só Castigo (Ali está/Aquele amor que pertenceu à minha vida/A quem outrora eu chamava de querida/Fiquei surpreso quando ali avistei/Ali está/ Distribuindo seu amor neste recinto/Tudo é verdade/Podes crer, pois eu não minto/Ali está a mulher que tanto amei). Com este disco, Osvaldo Oliveira destronou o "Rei" Roberto Carlos da liderança do ranking de vendagem de discos catalogado pela CBS. Naquele ano, Roberto lançou um elepê totalmente em espanhol e se deu mal.
Agora, ao comemorar 40 anos de carreira, ele volta à cena aos 65 anos com o CD "Osvaldo Oliveira - Revisto e Ampliado", que será lançado às 21 horas deste sábado, 13, na Estação Gasômetro, em show que terá as participações de Lenne Bandeira, Letícia Secco e Almirzinho Gabriel e de uma banda de 12 músicos comandados pelo maestro Manoel Cordeiro. O disco sai pela Girassol Record. É apoiado do selo "Cultura Paraensíssima", recém-criado pela Rádio Cultura FM para incentivar a obra de artistas paraenses que deram grande contribuição à música local, num trabalho de resgate cultural.
Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, concedeu esta entrevista ao jornalista Euclides Farias, colaborador do site BelémdoPará.
Osvaldo, de você já se disse quase tudo. Até que havia morrido. Vivinho da Silva?
OO - Mais do que nunca. Mas sabes o porquê? Porque eu não peguei aquele Hirondelle da PTA, o famoso Prepara a Tua Alma. Eu não vim naquele, compadre porque... (em tom de galhofa) porque eu fiquei com a Maria do Socorro lá no Maranhão. Aí caiu o Ludugero, lamentavelmente; caiu o Otropi e uma montoeira de passageiro tudinho. Mas o papai aqui, graças a Deus, fiquei lá com a comadres, e eu adoro isso, lá no quengaral, perto do Tirirical (aeroporto de São Luís).
É, escapou fedendo. E agora, dez anos longe dos discos, qual a emoção?
OO - Mais do que emoção. Tá me dando é uma canseira danada, porque eu tô me virando mais do charuto em boca de bêbado. Agora mesmo eu to vindo de um jornal, estou indo pra outro, to fazendo esta entrevista aqui. E, nego velho, tenho rebolado mais do que rumbeira.
Dez anos parado eu já não estava mais com aquela jogada de cintura para as rádios, corre pra cá, pra acolá. E ainda mais eu estou morando lá em Castanhal, com uma dose de sossego, já com a quarta família. Então, eu não estava mais com aquele pique do Rio de Janeiro, onde passei 30 anos trabalhando, fazendo esse nome crescer e conhecido é por todo o Norte/Nordeste do Brasil. Agora, como dizia o finado Jackson do Pandeiro, eu tive que entrar com o cacete na mão pra poder reviver o Osvaldo Oliveira.
Você começou a carreira na década de 50 em Belém, quando ainda existiam os programas de auditórios nas emissoras de rádio. Conta essa história pra gente.
OO - Eu comecei cantando em programa de calouros, lá na Rádio Clube, que ainda era lá no Jurunas. Era o programa do saudoso Lourival Penalber e o nosso amigo Guiães de Barros, que era o maestro, com um regional formado pelo o Aurino, o Bianor, que era meu primo e pandeirista.
Depois de calouro passei a contratado e a cantar no programa "A sorte encontrou o seu endereço" e, mais tarde, em programas de auditório, já no Palácio do Rádio. Da Clube fui para a Rádio Marajoara. Quando a rádio inaugurou fiz teste com o saudoso Providência e passei.
Era eu, a Miriam Matos, o Cecílio Franco, o Zé Augusto - um time tremendo de bom, sabes. Da Marajoara só saí quando fui transferido pela Aeronáutica, que eu era cabo, para o Rio de Janeiro, onde consegui me profissionalizar.
Transferido para o Rio num lance de malandragem...
OO - É, eu tive que aplicar. Me meti com o pessoal da transferência no "Escritório", que era nada mais nada menos do que um bar que ficava perto do Ministério da Aeronáutica. Era o primeiro time do because house (ri do trocadilho). Cantei pra eles, batendo com caixa de fósforo na mesa. Um sub-oficial perguntou: 'Quer servir no Rio de Janeiro?'. Respondi: 'Ó, senhor, se é isso o que eu mais quero". E aí, malandro, caiu a sopa no mel.
Como foi a chegada ao Rio? Naquela época devia ser uma guerra de foice. Muita rivalidade?
OO - Muita rivalidade. A minha voz parecia muito com a do Jorge Veiga, cantor antigo de samba de breque e que sempre foi meu ídolo. Aqui, quando calouro, devido eu ser nasal, eu cantava samba de Jorge Veiga. E aí fui muito perturbado pelo Jorge e pelo Jackson do Pandeiro, que achavam a minha voz muita em cima da deles. Mas aí o Jackson foi pra cima do Jorge Veiga e, como o sol nasceu pra todos, fui me saindo.
No Rio, eu conheci o Bezerra da Silva, que naquela época era só compositor, e mostrei o meu repertório. Ele me levou na casa do Jackson do Pandeiro, que era na Cândido Mendes, na Glória. O Jackson me mandou mostrar umas músicas e ficou com duas. Uma foi Caso de Polícia. [cantarolando] Quem te viu e quem te vê/Não te conhece mais/Nem conhece aquela dona de cinco anos. A outra era Secretária do Diabo [cantarolando] O diabo quando não vem/Manda o secretário/Eu não vou nessa canoa/Que eu não otário.
Tempos depois eles mexeram na letra - ele e a Almira Castilho (mulher de Jackson) -, eu não gostei e por isso regravei a música. Cheguei até a ficar quase indiferente com o Jackson, com o José Gomes, que era o nome de batismo dele. Mas seguimos em frente.
Como foi a saga para gravar o primeiro disco da carreira?
OO - Apareceu um camarada de São Paulo chamado Leonel Cruz. Era pra fazer um disco com vários cantores, até com dupla caipira. Tinha Noca do Acordeon, Geraldo Nunes, Luiz Wanderlei. Me arrumaram duas faixas nesse disco, que eu apelidei de "Pau-de-Sebo". E quem despontasse no "Pau-de-Sebo" ganhava um 78 rotações separado pela Chantecler. Do time todo fui o único que sai. Fiz o meu primeiro 78, veio o segundo 78, com direção musical do Palmeira, da dupla Palmeira & Biá. Foi esse Palmeira o primeiro cara que realmente apostou em mim e, mais tarde, já pela Continental, mandou eu escolher o meu repertório para gravar o meu primeiro elepê, que se chamou Eterna Lembrança do Norte. Isso em 1960.
Tinha lá [cantarolando] Eu vou, eu vou/Já chega de regressar/Vou rever o bairro de Canudos, a Pedreira e o Guamá. [cantarolando] Navegam os vaqueiros alegres/Cantando/Nas águas de Paquetá/Recordo o meu tempo de infância/Remando nas águas do meu Guajará. Só nesse elepê tinham quatro músicas falando no Pará.
O seu maior sucesso foi mesmo Só Castigo, de 72?
OO - Aí eu já estava no bolero. Foi uma pedida do seu Evandro Ribeiro, que era o superintendente da CBS e produtor do Roberto Carlos. Era um baixinho que tinha um olho clínico, sabia onde morava o pica-pau. E como eu já tinha gravado o bolero Responde Saudade num elepê do Abdias (sanfoneiro de oito baixos e então diretor artístico da gravadora), que vendeu muito. Por causa disso, o seu Evandro Ribeiro pediu que eu gravasse um elepê com boleros. Aí veio a música e o título Só Castigo. Esse bolero me consagrou no Brasil todinho.
Antes de mergulhar no bolero, você integrou a caravana da CBS que saía do Rio para o Norte/Nordeste. Fale dessas viagens.
OO - Era a Caravana Pau-de-Sebo, que, por sinal, moralizou a música regional, nordestina. O saudoso e incansável Abdias idealizou essa caravana para shows de divulgação e vendagem dos discos. Nós saíamos do Rio de Janeiro.
Os discos eram gravados em outubro e novembro e, logo depois do Carnaval, a CBS lançava, na frente das demais gravadoras. Era eu, Osvaldo Oliveira, que sou eu mesmo desde pequeno; era o Jackson do Pandeiro; era a Marinês, que era a esposa do Abdias, comandante pela CBS; era o Messias Holanda; era o Edson Duarte, Jacinto Silva, Ludugero, Otropi. Ao todo, 22 artistas. Saíamos do Rio e em Vitória da Conquista, na Bahia, nos encontrávamos com outra caravana que saía da outra ponta do Nordeste. Vinha a cantora de forró Marlene Vidal, Luiz Jacinto e uma cambada. Fazíamos a seleção e ganhávamos a estrada, fazendo todo o Nordeste e o Norte, até Manaus.
E como era a Belém boêmia, na fase de esplendor da Condor?
OO - Tinha a boate João de Barros, a campeã da noite, o Palácio dos Bares. João de Barros, que Deus já levou, meu amigão. Ali só cantava gente de gabarito: Jamelão, Nélson Gonçalves, até a Dalva de Oliveira, a rainha do rádio, chegou a cantar lá.
No começo eu cantava no Patesco, que era mais pobre que o João de Barros. E eu dei uma canseira no João de Barros. Ele queria eu largasse o Patesco, pagando dobrado, porque eu tava atrapalhando a casa dele, tirando o público de lá. Eu recusei. A minha ligação com o Patesco vinha desde a Vila Farah, onde ele tinha uma barraquinha e onde eu dizia pra ele que ia pro Rio, ia fazer sucesso e cantar, de estréia, na casa dele. E fiz isso. Quando terminou o contrato com o Patesco, passei pro outro lado da rua, pro Palácio dos Bares.
Me lembro que fiz uma vez um show de duas semanas com o Jamelão, ele com aquela roupa verde-e-rosa da Mangueira. Era eu que acordava o Jamelão às três horas da manhã. Depois de muito tempo foi que surgiu o Lapinha, que não era ali naquelas quebradas, era pra cá pro Marco...
E os outros bairros?
OO - Na Pedreira tinha a Lucimar; em Canudos, o Piratininga, e por aí afora. Era tanta casa noturna que nem me lembro de todas, mas sempre fui solicitado, sempre me deram apoio e é por isso é que eu gosto da minha terra. Dizem que santo de casa não faz milagres, mas aqui eu sempre fui bem contratado e bem pago.
Osvaldo, Telegrama e Este ano irei a Belém ficaram na memória musical de duas gerações. Evocam, com saudade, as coisas do chão paraense. Fale disso.
OO - Eu uma saudade danada de fim-de-semana no Rio que me levava a me inspirar com as coisas do Pará. Antes dessas, fiz Fico aqui, o quê! (cantarolando): A saudade apertou, eu não posso ficar/Vou ver minha gente/Abraçar os parentes em Belém do Pará/Eu fico aqui, o quê?/Eu não quero mais ficar/Eu fico aqui, o quê?/Eu vou me embora pro Pará. Depois veio o telegrama que meu pai, que morava no Apeú (Castanhal) me mandou. Junto com ele veio a saudade e mais uma música.
Nessa época, tinha lá no Apeú uma legião de parentes e amigos, como a tia Antônia, que está viva, e o finado tio Chico Caroço, que foi um dos incentivadores da minha carreira artística. Tio Caroço tocava violino, Bianor, Joaquim tocava flauta e a parentada formava uma bandinha. Pra eles fiz uma canção junina que diz assim: Bota a lenha pra fora/E prepara a fogueira/O arrasta-pé vai ser a noite inteira/Chama o menino e escuta o endereço/Pra chamar titia Antônia para vir rezar o terço/Chegou Chico Caroço com a turma da bandinha/E o negócio começa depois da ladainha/Santo Antônio disse e São Pedro confirmou/Você vai ser minha comadre/Que São João mandou. Dessa turma toda, a mais velha é a titia Antônia, que já está com 80 e bordoadas e continua a ser a rainha do cangaço lá no Apeú.
Charge e foto cedidas gentilmente por J. Bosco (blog Lápis de Memória)
Postado por Tony rangel de Paulista/PEA cultura paraense e brasileira perdeu na madrugada desta última quarta feira (31/03) o cantor e compositor Osvaldo de Oliveira, mais conhecido como Vavá da Matinha. O artista paraense estava internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Ophir Loyola desde o dia 10 de março, com diagnóstico de AVC, pneumonia e problemas cardíacos. Sua morte ocorreu às 5h45.
Na década de 50, o artista fez grande sucesso nos programas de auditório de Belém. Vavá da Matinha foi um dos precursores da música “brega paraense” e considerado o responsável por abrir as portas para inúmeros cantores e grupos musicais como a banda Calypso. Era muito conhecido por suas canções regionais que faziam alusão ao Pará. Nas décadas de 60 e 70, o artista era destaque no forró juntamente com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Sua colaboração com a cultura paraense é de extrema importância desde a década de 50, pela variedade de ritmos, poesia e regionalismo. Vavá da Matinha morre aos 73 anos deixando saudades e um legado cultural pertencente a todo o povo brasileiro.
Canção "Só castigo" de Osvaldo de Oliveira:

"Ali está Aquele amor que pertenceu a minha vida. A quem outrora eu chamava de querida Fiquei surpreso, quando aqui lhe avistei. Ali está Distribuindo seu amor neste recinto. Tudo é verdade, pois crer, pois eu não minto. Ali está a mulher que eu tanto amei. Agora ela está como queria. Com a vida que ela pediu a Deus. Pois eu lhe dava o pão de cada dia. Não posso perdoar os erros seus. Repare como ela está chorando. Mandou-me um recado por um amigo. Pra mim ela é de gelo. Não ouço mais apelo. Voltar com ela, só sendo castigo."
Postado por Representação Regional Norte - MinC às 07:57
Postado por Tony rangel de Paulista/PEVavá deixa saudades
Edição de 01/04/2010
Cantor e compositor, que morreu ontem, superou o rei em vendas de discos no Norte e Nordeste
"Aí está/Aquele amor que pertenceu à minha vida/A quem outrora eu chamava de querida/Aí está a mulher que tanto amei...". A voz que eternizou esses versos se calou ontem. Após 26 dias internado, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o cantor e compositor paraense Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, morreu às 5h45 da manhã de quarta-feira (31), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Ophir Loyola, aos 75 anos de idade. Em decorrência disso, foi cancelado o show que um grupo de artistas paraenses faria ontem e hoje, no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur, para angariar recursos para o tratamento do cantor. "Nesse momento todos querem se solidarizar com a família", declarou a cantora Cleide Moraes, que participaria da apresentação. Segundo ela, o show foi transferido para o próximo dia 19, no mesmo local, com a renda destinada à família de Vavá.
A morte de Vavá da Matinha deixa de luto a comunidade artística paraense e a legião de fãs que o cantor e compositor conquistou ao longo das últimas cinco décadas. Os jovens de hoje podem não se lembrar ou mesmo desconhecer o artista, mas Vavá era considerado um dos precursores da música brega paraense e o responsável por abrir o caminho do sucesso para tantos cantores e bandas conhecidas hoje.
"O Vavá não foi só um cantor, ele foi o criador de um estilo, fez escola com o seu trabalho. Sem contar que era um figuraça", disse, emocionado, o cantor Pedrinho Cavalero, ao saber da morte de Vavá. Nas décadas de 1960 e 1970, quando o radialista Costa Filho começa sua carreira como locutor na Rádio Liberal, Osvaldo Oliveira já era um dos artistas mais tocados da programação. "A gente recebia muitas ligações de fãs pedindo as músicas dele", recordou.
Mas o sucesso - em 1972, chegou a superar o rei Roberto Carlos em vendas de discos, nas regiões Norte e Nordeste - não fez de Vavá da Matinha um homem rico. Pelo menos não em seus últimos dias de vida. O cantor estava vivendo em Castanhal, onde se aposentou como funcionário da Prefeitura.
Desde o final da década de 1980 que a carreira musical entrou em ostracismo. Em seus últimos shows, antes de adoecer, os chachês, nem de longe, lembravam a grandeza musical de quem chegou a ser chamado de Jackson do Pandeiro do Pará e teve suas músicas gravadas por nomes como Bezerra da Silva e o próprio Jackson. Dessa época ficaram as histórias. "Quando ele começa a contar a gente tinha de parar para ouvir. O jeito como ele falava do Roberto Carlos e de outros cantores famosíssimos com quem ele conviveu era um barato, na maior naturalidade", lembrou Cavalero.
Vavá teria passado mal na rua e foi levado, em estado grave, para o Hospital de Pronto Socorro Municipal (HPSM), da travessa 14 de Março, em Belém, no último dia 5. O cantor, vítima de um acidente vascular cerebral, permaneceu na UTI do PSM até ser transferido para o Hospital Ophir Loyola, que é referência em casos neurológicos no Estado.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), antes da transferência, Vavá havia apresentado uma pequena melhora, mas nada que fosse significativo em relação à gravidade do seu estado de saúde. Na UTI do Ophir Loyola desde o dia 10 de março, o cantor, de 75 anos, apresentava um quadro de AVC, pneumonia e arritmia cardíaca. Vavá não resistiu às complicações e morreu, ontem, às 5h45. O corpo está sendo velado no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP) e o sepultamento deve ocorrer hoje, às 13h, no cemitério do Apeú, em Castanhal.
"Eu morro defendendo o meu Estado"
Depois do Rio de Janeiro, Vavá fixou residência também em Fortaleza (CE), mas não perdia sequer uma oportunidade de declarar seu imenso amor pelo Pará. "Morro defendendo o meu Estado", disse em uma entrevista concedida à TV Cultura há três anos. Considerado um dos precursores da música brega paraense, Vavá da Matinha começou a carreira cantando forró, mas foi com o bolero - que para muitos é o embrião do brega - que o artista conquistou a fama na década de 1970. O cantor, que era também compositor, vendeu muitos discos e teve várias de suas canções gravadas por gente como Jackson do Pandeiro, Bezerra da Silva e o forrozeiro Abdias. Vavá da Matinha foi também o primeiro cantor a gravar um merengue com letra, a canção "A deusa do mercado São José", que como tudo que ele gravou na época se transformou em um grande sucesso.
Em 1959, o cantor mudou-se para o Rio de Janeiro. Na bagagem, levava uma carta de recomendação do amigo Edyr Proença para a rádio Tupi. Já no ano seguinte, gravou duas músicas numa coletânea da Continental. O trabalho fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, Vavá ganhou seu próprio 78 rotações. O primeiro LP da carreira recebeu o título de "Eternas lembranças do Norte", tinha apenas quatro composições e a maioria das músicas em ritmo de forró. Nessa época, fazia sucesso no cenário musical brasileiro artistas como o Rei do Baião Luiz Gonzaga e Vavá da Matinha - que, no Rio, fazia sucesso com seu nome de batismo - tinha espaço de destaque entre eles.
Seu sucesso na Continental lhe rendeu um contrato com uma das maiores gravadoras da época, a CBS. Só para se ter uma idéia era a mesma gravadora de Roberto Carlos. Depois de Vavá, as grandes gravadoras passaram a investir em cantores como Reginaldo Rossi. Foi pela CBS que ele lançou um dos seu maiores sucessos: "Só castigo", cujos versos abrem essa reportagem.
Ele era o Jackson do Pandeiro paraense
Osvaldo Oliveira começou a carreira cantando em programas de auditório de rádios, no final da década de 1950, depois de largar a profissão de telegrafista na Aeronáutica. O apelido de Vavá da Matinha (uma alusão ao bairro onde nasceu, em Belém, e que depois passou a se chamar bairro de Fátima) ele teria recebido do amigo e radialista Eloy Santos. Depois de ganhar notoriedade nas rádios, o cantor conquistou o Brasil.
Considerado o Jackson do Pandeiro paraense, Vavá da Matinha conseguiu um feito surpreendente no início da década de 1970, quando chegou a vender mais discos que o Rei Roberto Carlos no Norte e Nordeste do país. Tudo isso sem nunca deixar sua terra natal. Mesmo depois de mudar-se para o Rio de Janeiro, onde assinou contrato com uma grande gravadora, o artista continuou compondo algumas obras bairristas como "Pará e Bahia", "A beleza da rua" e "O canto do galo", onde fazia referências às coisas da terra. "Junto com o sucesso que ele fez, o Vavá da Matinha também ajudou a divulgar as coisas do Pará lá fora, cantando as nossas crenças, nossas comidas típicas, o Ver-o-Peso", lembrou o radialista Costa Filho.
Secult lamenta a morte do músico em nota oficial
A Secretaria de Estado de Cultura (Secult) divulgou ontem nota oficial de pesar pela morte do cantor e compositor Osvaldo de Oliveira, o Vavá da Matinha, que morreu ontem, em Belém, aos 75 anos, em decorrêencia de acidente vascular cerebra.
"É com pesar que a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) informa o falecimento do cantor e compositor paraense Osvaldo de Oliveira, conhecido como Vavá da Matinha. A Secult informa ainda que o show em memória que aconteceria nesta quarta-feira (31), no Teatro Margarida Schivazzappa, foi transferido para o dia 19 de abril. Em breve, maiores informações.
O velório acontecerá no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP), a partir do meio dia de hoje [31]. E o enterro será 13h desta quinta-feira [1], no cemitério do Apeú, em Castanhal. Antes, o corpo irá em carro aberto até a Câmara Municipal de Castanhal, onde será homenageado.
Vavá estava internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Ophir Loyola, desde o dia 10 de março deste ano, com diagnóstico de acidente vascular cerebral, pneumonia e arritmia cardíaca, evoluiu a óbito nesta quarta-feira, 31, às 05h45, com disfunção de múltiplos órgãos.
Na década de 50, o artista fez grande sucesso nos programas de auditório de Belém. Vavá da Matinha foi um dos precursores da música brega paraense e considerado o responsável por abrir as portas para inúmeros cantores e grupos musicais como a banda Calypso. A família de Vavá ainda não definiu o local do velório.
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Postado por Tony rangel de Paulista/PEé um grande prazer sou { SIDNEY VITAL }
Passei gostei e virei fã.....
um forte abraço...............